Nada se torna fácil quando escolhemos o caminho contra a corrente do vento e precisamos de pôr de lado os nossos devaneios e encarar cada segundo como se fosse a pedra mais preciosa de sempre. O tempo parece que não passa e a paciência começa a falhar sem termos onde nos agarrar. Ao som das notas tocadas pelo piano começamos a diferenciar cada situação vivida até que realmente entendemos o verdadeiro significado de querer e não poder ter.
Ouço gravações feitas naquele dia em que me disseste as verdadeiras palavras que o amor proclama e recordo todos os momentos em que me mostraste o quão forte eu conseguia ser. Meteste-me à prova e por ti ultrapassei os meus próprios limites como se tão simples fossem. Aprendi a cair e a levantar-me sozinha; a nadar contra a maré sem qualquer ajuda que me fizesse fazer voltar à tona; ganhei a vontade de não ser nada.
Li as tuas palavras daquele pequeno livro que escreveras naquele dia em que por mim esperaste sem que eu aparecesse e senti a ansiedade que sentiras enquanto reparavas que não iria aparecer. Senti isso porque tu também não voltaras. O que é nosso por muito que o deixemos ir volta, mas tu não voltaste. Não voltaste e eu aqui continuei e continuarei à espera. Por todos os segundos que te desejei ver, por todos os minutos que te pensei voltar a ter, por todas as horas que passei a olhar para simples autocarros que até ti me levavam em dias de chuva, nada mudou e tu continuas sem voltar.
A minha aliada mais fiel aparece sem qualquer tipo de chamamento e vestida no seu traje branco me sufoca com um mínimo de realidade e compreensão que pode existir;ela me mostra a realidade;ela me consegue atingir da maneira mais simples mas radical possível simultaneamente. Ela se chama Saudade e definitivamente era a ultima pessoa que eu queria ao meu lado.
